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Gestão de resíduos

Gestão de resíduos para empresas

Saiba como a Política Nacional de Resíduos Sólidos influencia na sua empresa

Em 12 de janeiro de 2022, foi publicado no Diário Oficial da União do Decreto No. 10.936 que regulamenta a Lei No. 12.305./2010 que institui a POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS no Brasil.  

Fizemos uma análise detalhada do Decreto, com os pontos principais que devem ser observados pelas PESSOAS JURÍDICAS do setor privado e de extremo interesse para os geradores de resíduos sólidos sejam fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes conforme Título II, Capítulo I, Art. 3.  do Decreto. 

O Objetivo desta análise é dar mais clareza das obrigações a serem seguidas com foco na mitigação de riscos, mas também como uma janela de oportunidades para que a gestão de resíduos de sua empresa deixe de ser um custo e passe a ser uma fonte de desenvolvimento socioambiental. 

Fique por dentro das responsabilidades da empresa e consumidores

Nos Artigos 4 e 5 do mesmo capítulo, o decreto prevê a participação efetiva do consumidor em segregar, acondicionar e destinar corretamente os seus resíduos. Mas no parágrafo 6º prevê que o Poder Público, setor empresarial e sociedade são responsáveis pela efetividade dessas ações. Isso significa que a responsabilidade pelo sucesso da coleta seletiva é compartilhada e que deve haver uma ação colaborativa entre os 3 setores para que a coleta seletiva efetivamente funcione.  

Traduzindo: O setor privado tem a responsabilidade de apoiar projetos de coleta seletiva entre os seus stakeholders que poderá ser com: 

  • infraestrutura para potencializar a performance dos resultados; 
  • educação ambiental aos stakeholders; 
  • sistema de métricas para acompanhar os dados e garantir a destinação adequada; e 
  • divulgação dos resultados para promover o engajamento. 

Para os produtos exportados, o fabricante deverá atender às exigências do país exportador. 

(Em breve traremos algumas dicas sobre projetos de coleta seletiva entre Stakeholders para empresas.) 

No Capítulo II do novo decreto que estamos comentando, destacamos o parágrafo 2º  que trata da obrigação dos geradores de resíduos sólidos de segregá-los e disponibilizá-los adequadamente de acordo com o estabelecido pelo município de sua localização.  

Preparamos aqui um playbook com orientações sobre os 5 passos para uma gestão de resíduos eficaz em sua empresa. Baixe agora aqui! 

Veja como a sua empresa pode cumprir com as obrigações ambientais

O Capítulo III trata da Logística Reversa especificamente dos artigos 12 ao 17 da PNRS e institui oficialmente o Programa Nacional de Logística Reversa e o integra ao SINIR (Sistema Nacional de Informações Sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos) e ao PLANARES (Plano Nacional de Resíduos Sólidos).   

Segundo o Art. 13 A logística reversa é instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado pelo conjunto de ações, de procedimentos e de meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou para outra destinação final ambientalmente adequada” 

Isso quer dizer que, ao investir em programas de logística reversa, sua empresa estará promovendo desenvolvimento econômico, social (e em nossa visão, o ambiental) que são a base de indicadores ESG que o mercado está exigindo hoje. Ou seja, os resíduos de sua empresa que sempre foram um problema, na verdade são uma grande oportunidade.  

O Art. 14 prevê que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de produtos e embalagens deverão: 

  • estruturar, implementar e operar os sistemas de logística reversa por meio do retorno dos produtos e das embalagens pós-consumo; e 
  • assegurar a sustentabilidade econômico-financeira da logística reversa de acordo com a proporção dos produtos que são colocados no mercado interno e com metas progressivas de acordo com o acordo setorial.   

Lembre-se que ninguém muda o mundo sozinho 

Este artigo deixa claro a necessidade que as empresas têm de buscar parceiros para implantar, gerir, medir e comprovar os resultados desses projetos. Ter parceiros especializados e com estratégias eficazes é o melhor caminho para que os recursos sejam otimizados e obtenham melhores resultados. Foi para ajudar neste desafio que a 4H surgiu e estamos preparados para que as empresas parceiras sejam muito bem-sucedidas nessa jornada. Especialmente para cumprir o Art. 15 que estabelece o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para que os sistemas de logística reversa sejam integrados ao SINIR, contando da data de publicação deste decreto, ou seja, em 19 de julho de 2022. 

O parágrafo 1º institui a emissão do MTR (Manifesto de transporte de resíduos) através do SINIR para fins de fiscalização ambiental de logística reversa e o parágrafo 2º complementa com a manutenção de informações atualizadas sobre: 

  1. a localização dos pontos de entrega voluntária; 
  1. os pontos de consolidação; e 
  1. os resultados obtidos, consideradas as metas estabelecidas. 

A solução da 4H permite que você tenha acesso em tempo real através de um dashboard de todas essas informações e interliga diretamente o sistema ao SINIR. Todas as informações são capturadas por imagem e traduzidas em dados por meio da Inteligência Artificial e as evidências ficam armazenadas no sistema que se torna 100% auditável. 

Ou seja, ajudamos a sua empresa desde a operacionalização da logística reversa e do seu plano operativo, incluindo a governança para acompanhamento de performance, participação dos consumidores no sistema de logística reversa, com o cumprimento de suas obrigações,  nos planos de comunicação e de educação ambiental, objetivos, metas e cronograma, monitoramento,  avaliação do sistema e viabilidade técnica e econômica da logística reversa e não menos importante, a gestão de riscos e de resíduos perigosos. (previstos no Art 18 da Seção II). 

Você sabe o que fazer com os resíduos que são gerados dentro da sua empresa? 

Embora o Art. 30 do Título III que trata das Diretrizes Aplicáveis à gestão e ao gerenciamento dos RS dê prioridade para a não geração de resíduos sólidos, nós sabemos que esta é uma visão de futuro a longo prazo e que deve fazer parte de projetos de PD&I da companhia. Pode até ser utópico para os próximos 100 anos. Mas é preciso caminhar nessa direção e para isso, o primeiro passo a ser dado é conhecer a fundo o perfil dos resíduos gerados na empresa e em sua cadeia de valor, recuperar o maior volume possível com reciclagem, reuso e compostagem, medir, rastrear e acompanhar a evolução da recuperação de resíduos e da redução da destinação ao aterro sanitário.  

Ainda sobre o Decreto, ele dedica o TÍTULO IV totalmente à participação dos catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis na cadeia, e salientamos a importância de tê-los como nossos parceiros e da sua empresa também! Temos um programa de capacitação para que eles operem dentro de nossos clientes com o nível de exigência corporativa de todos os fornecedores do setor. A formalização de contratos de prestação de serviços com estes atores e sua capacitação é uma prática social inclusiva muito necessária para toda a cadeia. 

Sobre o CAPÍTULO III que trata sobre o PGRS (Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos) vemos a oportunidade de gerá-lo diretamente no SINIR por meio eletrônico a partir das informações declaradas pelos responsáveis por sua elaboração e com atualizações periódicas de um ano. (Art. 58). Ele também assegura a utilização dos resíduos de valor econômico não descartados de origem animal e vegetal como insumos na cadeia produtiva, o que inclui o aproveitamento para a compostagem e a biomassa na produção energética. (Art. 59). 

Ainda sobre o decreto, o Título VII trata da Educação Ambiental na gestão de resíduos sólidos que é parte integrante da PNRS e tem como objetivo  

“…o aprimoramento do conhecimento, dos valores, dos comportamentos e do estilo de vida relacionados com a gestão e com o gerenciamento ambientalmente adequado de resíduos sólidos.” O que para nós é mais uma oportunidade para a sua empresa se conectar ainda mais com o seu consumidor, passando uma mensagem positiva e de cuidado com todas as questões que envolvem as mudanças climáticas, degradação ambiental e emissões de carbono.” 

Saiba os riscos que a sua empresa corre ao descumprir com tais obrigações:  

Por fim, o TÍTULO XII que trata das Disposições Finais, traz no ART. 90 as alterações ao Decreto No. 6.514/2008 Art. 62, sobre as Multas Sobre Infrações relativas à poluição e outras Infrações Ambientais. Como entendemos de suma importância atentar para estes itens, descrevemo-los na íntegra a seguir: 

ART 90 “ … 
XII – descumprir obrigação prevista no sistema de logística reversa implementado nos termos do disposto na Lei nº 12.305, de 2010, em conformidade com as responsabilidades específicas estabelecidas para o referido sistema; 
XIII – deixar de segregar resíduos sólidos na forma estabelecida para a coleta seletiva, quando a referida coleta for instituída pelo titular do serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; 
XIV – destinar resíduos sólidos urbanos à recuperação energética em desconformidade com o disposto no § 1º do art. 9º da Lei nº 12.305, de 2010, e no seu regulamento; 
XV – deixar de atualizar e disponibilizar ao órgão municipal competente e a outras autoridades informações completas sobre a execução das ações do sistema de logística reversa sobre sua responsabilidade 
XVI – deixar de atualizar e disponibilizar ao órgão municipal competente, ao órgão licenciador do Sisnama e a outras autoridades informações completas sobre a implementação e a operacionalização do plano de gerenciamento de resíduos sólidos sob a sua responsabilidade; e 
XVII – deixar de cumprir as regras sobre registro, gerenciamento e informação de que trata o § 2º do art. 39 da Lei nº 12.305, de 2010. 

  • 1º As multas de que tratam os incisos I a XI do caput serão aplicadas após laudo de constatação.
  • 2º Os consumidores que descumprirem as obrigações previstas nos sistemas de logística reversa e de coleta seletiva ficarão sujeitos à penalidade de advertência.

 O nosso propósito é…

contribuir para mudar o cenário de resíduos no Brasil e entendemos que o melhor caminho é ajudando empresas a se adequar à Política Nacional de Resíduos Sólidos e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento social, ambiental e econômico. Fazemos isso de forma rápida e eficaz utilizando tecnologia e estratégia, para que sua empresa transforme resíduos em indicadores ESG e passe a fazer parte do time das melhores empresas para o planeta! 

Se você ainda não baixou o nosso playbook sobre gestão de resíduos para empresas em 5 passos, baixe agora 

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ESG

O que é ESG?

Sem dúvida, a sigla mais comentada dos últimos 12 meses, além da COVID-19 no mundo, é a que terá maior relevância para definir para onde iremos nos próximos 28 anos. Está por toda a internet, é falado em todos os eventos e atravessou todos os setores. Uma sigla tão forte que, deveria, mas  (talvez com a preocupação de não ser compreendido) ainda não foi traduzida para o Português. Mas, afinal, o que é ESG ou ASG? 

Mas calma, não precisa ficar confuso(a)! 

Qual o significado da sigla “ESG”? 

Esta sigla da língua inglesa se refere às práticas Ambientais (Environment), Sociais (Social) e de Governança (Governance) Corporativa. Na verdade, é uma derivação de outra sigla –   CSR em inglês ou RSC (Responsabilidade Social Corporativa em português) –  proposta pela ONU há pouco menos de 20 anos. O objetivo era levantar a discussão sobre o papel mais amplo das corporações: não só gerar lucro e empregos, mas também de gerar riquezas atreladas ao crescimento social. 

Em 2006 começaram os primeiros movimentos neste sentido nos Estados Unidos com a criação do Sistema B e o Capitalismo Consciente. Na Europa, este movimento é ainda mais antigo e um dos institutos mais expressivos é o BRE, localizado na Inglaterra, que desde 1921 investe em pesquisas e desenvolvimento para um ambiente construído melhor para todos. 

Porque os indicadores ESG são importantes? 

De 2015 para cá o setor financeiro também começou a apontar  nessa direção, tendo como principal porta-voz Larry Fink – CEO da BlackRock, o maior fundo de investimentos do planeta. Foi ele que, em 2021, deu a cartada final para a mudança em sua Carta aos CEOs das corporações divulgada durante o Fórum Econômico Mundial. De forma muito resumida, a carta traz a importância da criação de valor de forma duradoura, com estratégias de longo prazo a partir de um propósito e considerando as mudanças climáticas. Segundo Fink, “ as tendências de desigualdades para onde a humanidade estava caminhando foram ainda mais aceleradas na pandemia”.  

Na realidade, foi trazido à superfície algo que já era latente há décadas, senão dizer, há séculos. Da mesma forma que estamos nos aproximando para um colapso de todo o sistema, com escassez hídrica, temperaturas extremas e escassez alimentar, é a primeira vez que vemos as lideranças tomando suas decisões colocando as questões socioambientais como a estratégia central, algo que extrapole os seus muros e seja mais abrangente do que sua comunidade de stakeholders. É sobre isso que se trata o ESG.  

São 3 verticais totalmente interligadas  e com um impacto sistêmico entre si. 

Embora a abrangência do Ambiental, por exemplo, trate de degradação do meio ambiente e de mudanças climáticas, essa virada de chave só será possível com uma mudança consciente das pessoas em suas tomadas de decisão nas posições que ocupam. Reduzir emissões de Gases Efeito Estufa (GEE) é alterar todas as atividades que vêm sendo feitas hoje no planeta, principalmente as fontes de energia elétrica, transportes, uso do solo, agropecuária, processos industriais e gestão de resíduos para emissão zero até 2050. Este é um processo lento e não se trata apenas das emissões em si. Há uma reação em cadeia de todo o sistema. 

O excesso de GEE provocam o aumento da temperatura média da terra, alterando o regime de chuvas, cursos de água, degelo das calotas polares e levando a temperaturas extremas em todas as regiões do planeta. Além de períodos de escassez hídrica e enchentes violentas, há um impacto no aumento da temperatura dos oceanos. Se chegarmos ao aumento de 1 grau e meio, os corais do oceano não sobreviverão, a quantidade de peixes no oceano se reduzirá em 25% e, 1,3 bilhão de pessoas que têm o peixe como proteína primária em sua base alimentar passarão a ter insegurança alimentar, para não dizer fome. Com todas essas perspectivas fica muito claro que a letra “E” do Ambiental é totalmente ancorada no S do social. 

A influência do ESG nas empresas 

São então nas estratégias sociais corporativas, que a empresa agrega valor à comunidade além do serviço/produto que ela produz, dos empregos que ela gera e dos impostos que ela paga. Qual o conhecimento, qual a cultura ou o valor que pode ser levado à essa comunidade? Quais projetos podem ser realizados em parceria com a sociedade para que haja uma troca que gere riqueza e abundância para ambos os lados? O que a empresa pode dar de volta para a sociedade que a faz prosperar? Neste sentido, projetos de regeneração ambiental com redução de emissões de GEE em parceria com o terceiro setor tendem a ser projetos altamente potentes, pois geram uma tsunami de benefícios para todos os lados.  

Embora fundamentais, todas essas premissas anteriores perdem sua força se não forem acompanhadas pela Governança. Uma prática que dá transparência e dados certificados e auditáveis sobre todas as áreas da empresa, trazendo a ética como prática central, inclusive no que tange as estratégias do “E” e do “S”. Cabe usar a expressão “walk-the-talk” aqui, mostrando a importância de eliminar as dissonâncias entre o que se fala (principalmente nas áreas de marketing da empresa) e o que se pratica efetivamente. Inclusão por exemplo, um dos indicadores importantes para práticas ESG, não pode ser apenas na assinatura de uma carteira de trabalho. Fazer parte de uma corporação deve ser um marco transformador na vida de um colaborador como ser humano.  

A gente sabe que você está anotando tudinho para não esquecer. 

Podemos concluir que… 

No final das contas, daqui pra frente o que está em jogo é a sobrevivência das empresas de fato. O mercado consumidor vem cada vez mais buscando consumir de empresas conscientes, como demonstra uma pesquisa do Instituto Akatu em parceria com a Globescan. As empresas que demonstrarem claramente o seu comprometimento com a pauta ESG são sem dúvida as que prosperarão daqui para frente. Na outra ponta de seu pilar de sustentação estão os fundos de investimento. E estes também darão prioridade aos negócios que assumiram  a sua cota de responsabilidade e estão investindo em regenerar sociedade e planeta a longo prazo, seguindo o posicionamento de Larry Fink. Com taxas melhores, empresas ganham mais competitividade e avançam mais.  

ESG na verdade é a receita perfeita para que as empresas sobrevivam a este momento disruptivo, deixem de ser as melhores do mundo e passem a ser as melhores para o mundo! 

Agora que você está por dentro do assunto, partiu pôr em prática? 

Você pode gerar indicadores ESG usando os resíduos de sua empresa. Saiba mais em www.4habitos.com.br 

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COP 26

COP 26: está aberta a era das escolhas

No domingo, 31 de outubro de 2021 foi um dia chave para a definição do destino da humanidade. Mais de 100 líderes Mundiais e outras dezenas de milhares de participantes se reuniram na abertura da COP 26, reunião da UNFCCC ( Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas) que aconteceu este ano em Glasgow, no Reino Unido. 

Foram  2 semanas de exaustivas discussões e negociações entre 195 países para buscar soluções para o combate ao aquecimento global. A meta principal incluída na Agenda 2030, é evitar que o aquecimento da temperatura média do planeta chegue a 1,5 graus celsius.

Na abertura do evento, a secretária executiva da Convenção-Quadro ONU sobre Mudança Climática,  Patricia Espinosa, trouxe em seu discurso a esperança de que este seja um momento do despertar para uma era de resiliência e foi contundente ao definir que será um momento onde terão que fazer duras, mas muito claras, escolhas: entre mudar os rumos para garantir um futuro mais equilibrado para as próximas gerações ou, de condenar definitivamente os hoje jovens à um futuro duro e sombrio. 

Patricia Espinosa – Secretária executiva da Convenção-Quadro ONU sobre Mudança Climática

O acontecimento da conferência neste momento é fundamental para trazer à tona os resultados obtidos até aqui que não são nada animadores. Os planos nacionais para contribuir com  o Acordo de Paris não foram cumpridos e se esta realidade não for mudada, dificilmente chegaremos em 2030 com um aumento de temperatura inferior à 2 graus celsius.

Incêndio devasta ilha de Guanaja nas Honduras – 02/10/2021 – fonte: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1844333/incendio-devasta-ilha-de-guanaja-nas-honduras

Estamos em um momento emergencial! Não há mais tempo para postergar ações de reduções drásticas nas emissões. Como salientou a secretária, “ Cada dia que passa sem se implementar o Acordo de forma integral, é um dia perdido. Este dia perdido tem repercussão no mundo real, para pessoas em todo mundo, principalmente os mais vulneráveis.”

Mesmo com o cenário crítico, ainda há espaço para esperança desde que as nações comecem imediatamente a cumprir com seus compromissos. Também entrou em destaque o auxílio necessário para países em desenvolvimento que precisam fazer adaptações mais dramáticas para realizar as transformações necessárias de reduções das  emissões de Gases Efeito Estufa (GEE) para atingirmos a meta. Essa transição da humanidade é sem precedentes em sua história, seja em escala, velocidade ou finalidade. Ou seja, nunca foi tão necessário, nem tão globalizado e muito menos tão rápido.

Relatório do IPCC: mudanças profundas estão em andamento nos oceanos e no gelo da terra – 02/10/2021 – fonte: https://www.ecodebate.com.br/2021/08/09/relatorio-do-ipcc-mudancas-profundas-estao-em-andamento-nos-oceanos-e-no-gelo-da-terra/

Para o presidente da COP 26, Alok Sharma, a conferência de Glasgow, cujas discussões se iniciaram na segunda, 01 de novembro,  poderiam ser a última e melhor esperança de se manter o limite de temperatura média da terra dentro do esperado. Mas isso não foi o suficiente para que o resultado fosse animador. Mesmo com tantas apresentações de soluções reais, mesmo com  tantos apelos dos países em desenvolvimento que estão sofrendo mais com as mudanças climáticas, as respostas  do documento final colocam em cheque a segurança global.

Pela primeira vez se falou em reduzir o consumo de combustíveis fósseis, o que à primeira vista parece um avanço, embora a meta deveria ser de eliminação e não de redução. As etapas de redução também são em prazos muito alongados, o que deixa o questionamento sobre o sucesso da redução das emissões. 

Outro ponto de avanço foi o comprometimento de cerca de 120 países a deter e reverter o desmatamento até 2030 e um novo fundo foi aprovado para zerar o desmatamento ilegal nesta mesma data.

Um ato importante também foi a regulamentação dos créditos de carbono, permitindo que países emissores comprem os créditos de países que conseguem sequestrar gases efeito estufa. Porém as mitigações (reduções de emissões ou emissões evitadas a partir de uma nova estratégia ou novas fontes de energia por exemplo) não entraram nessa regulamentação e continuam em aberto, infelizmente. Mitigações são fundamentais para a redução das emissões e precisam de mecanismos regulamentares para seu incentivo. Segundo especialistas, não há área (nem tempo) suficiente no planeta para que a neutralização seja eficaz o suficiente para evitar o aquecimento de 1,5 graus até 2030.

Independente das negociações e acordos entre as nações, ficou claro que empresas e cidadãos precisam também fazer a sua parte. Num planeta onde desastres ambientais como inundações, incêndios, furacões e desertificações se tornam cada vez mais comuns, fica muito evidente que é mais interessante investir em regenerar o que foi degradado do que levar o sistema à exaustão com prejuízos irreparáveis para toda a humanidade. O mercado financeiro e o mercado consumidor já deram o seu recado de apoiar os negócios que se preocupam em mais em serem os melhores para o planeta do que os maiores do planeta. E é desta forma que a mudança acontecerá.

 E afinal, qual é a sua escolha?

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A água está nas nossas mãos

O cuidado com a água é uma das maiores preocupações atuais. Já pensou sobre o seu papel nessa história? Neste texto, Juliana Faber nos conta mais sobre o que cada um de nós pode fazer.

Todo mundo sabe o quanto a água é importante para a vida. Tenho certeza de que a grande maioria das pessoas que leem esse texto agora já reduzem o tempo de banho e desligam a torneira enquanto escovam os dentes. Talvez também já saibam que nós somos constituídos de mais de 70% de água, assim como o planeta Terra. Mas essas ações e informações ainda são rasas, diante de tudo o que a água nos pede.

Desde que comecei a mergulhar no mundo das águas e passei a compreender um pouco mais de suas nuances e sutilezas, me deparei com alguns temas que não são mencionados nas conversas usuais sobre a água. Quando falamos de água e soluções para sua regeneração, em geral discute-se saneamento, acesso à água potável, regeneração de nascentes, mas pouco se fala sobre as ações diárias e individuais que estão ao alcance de todo mundo.

O que você pode fazer pela água

Você sabe de onde vem a água que sai pela torneira da sua casa? Sabe como ela é tratada antes de chegar na sua casa? E como você a trata dentro da sua casa?

Diariamente colocamos incontáveis produtos químicos sintéticos na nossa água. Você já parou para ler a composição dos cosméticos e produtos de higiene que você usa todos os dias? E dos produtos de limpeza? E dos medicamentos? Ler os rótulos dos produtos que consumimos é uma forma eficiente para tomarmos consciência do que trazemos para a nossa vida e para fazer boas escolhas. 

Você sabia que passar um dia inteiro em contato com os produtos de limpeza, a exemplo das faxineiras, é equivalente a fumar um maço de cigarro? Sem perceber, nós estamos frequentemente consumindo químicos desnecessários, que prejudicam a qualidade da nossa vida e da água. Você tem ideia do que esses produtos sintéticos causam na nossa água? Já parou pra pensar nas reações químicas que acontecem quando esses diferentes produtos de encontram?

A água tem uma incrível capacidade de se purificar naturalmente através da ação de bactérias, micro-organismos, plantas e de pedras que retêm os materiais sólidos. Mas, com tudo o que temos colocado, a natureza já não está mais conseguindo fazer essa filtragem natural. O fato é que as pessoas tem estado tão cegas, que estão procurando culpados externamente e deixando o cuidado e tratamento das águas a cargo das grandes indústrias e empresas de saneamento. Nós não estamos assumindo a autorresponsabilidade necessária. Ainda não estamos vendo que a água está nas nossas mãos. 

Auto responsabilidade

Se você parar para observar, vai perceber que a maioria das pessoas tem uma tendência de transferir a culpa. Na maioria das vezes isso ocorre sem querer, no automático, mas é possível fazer diferente. Se você se considera um cidadão do bem, preocupado em regenerar o planeta, busque trazer a auto responsabilidade como um valor norte na sua vida. 

Pratique tomar consciência e assumir a culpa de tudo o que acontece na sua vida, independentemente se for algo positivo ou negativo. Pode ser que no começo seja mais difícil identificar o seu papel nas situações, e você sinta uma necessidade de projetar a culpa, mas não desista. Não temos mais tempo para passar a responsabilidade adiante. Se não fizermos o que queremos, o que acreditamos ser necessário, ninguém vai fazer por nós. A verdadeira transformação no mundo começa quando cada um realmente se disponibiliza a repensar as suas atitudes e passa a fazer diferente.

Olhe para os produtos que você compra e utiliza todos os dias e se pergunte se eles realmente estão a serviço dessa regeneração. Observe o produto que escolheu. Será que são necessários tantos componentes? Olhe também para o tipo de embalagem que esse produto utiliza. Qual é o destino dela? Será que ela precisa mesmo ser de plástico e ter uma vida útil tão curta? Ao fazer esses questionamentos, você vai perceber que seguimos financiando um grande modelo de produção insustentável. Mas, se quisermos, conseguimos fazer diferente. 

Está cada vez mais fácil encontrar pessoas fazendo e comercializando produtos conscientes, que realmente buscam não poluir a água e o planeta. Pode ser muito simples escolher se livrar dessas químicas e embalagens descartáveis. Entre em contato com essas pessoas, ouça as suas histórias e fortaleça essas ações. E, se quiser, experimente você também fazer os seus próprios produtos de higiene e limpeza em sua casa. Ficou curioso? Confira essa simples receita que preparamos para você:

RECEITA DESINFETANTE SIMPLES E EFICIENTE

Você consome limões, laranjas ou outras frutas cítricas? Viva! Seu organismo agradece! Agora que tal usar as cascas para fazer um desinfetante super cheiroso?

Ingredientes:

• Vinagre

• Cravo

• Cascas de frutas cítricas

Preparo:

Pegue um vidro grande (o maior que você tiver) e coloque um pouco de vinagre de álcool no vidro. Conforme você for consumindo as frutas cítricas, vá colocando o bagaço (o que sobra quando você tira o suco) nesse vidro com vinagre. É importante que as cascas sempre estejam cobertas com vinagre e o vidro fique sempre tampado. Se cortar as cascas dos limões em partes menores, você agilizará o processo e conseguirá um resultado ainda melhor. Quando o vidro estiver cheio de cascas e vinagre, tampe e deixe descansando por pelo menos 1 semana.

Depois desse período, pegue um borrifador de plantas e coloque alguns cravos em botão no fundo do frasco. Coe as cascas com vinagre com um  pano de voal e despeje o líquido no borrifador. Pronto! Seu desinfetante de cítricos com cravo está pronto.

Viu como pode ser simples gerar um impacto positivo no planeta?

Nós temos em nossas mãos toda a força necessária para mudar o rumo da nossa relação com o planeta. Se assumirmos a nossa responsabilidade e nos reconhecermos como seres empoderados, será muito mais fácil regenerar e transformar a forma como cuidamos da água. Então, não duvide. Como já dizia aquele provérbio africano: 

“Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudanças extraordinárias”.

Eu acredito nisso e me dedico ao máximo para que mereçamos viver nesse planeta tão belo e misterioso. E você?

Juliana Faber empreendedora social, educadora ecológica, facilitadora de propósito e permacultora

saiba mais em 

https://www.somosagua.eco.br/

Instagram: @julisomosagua

julisomosagua@gmail.com

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Recursos Humanos e Sustentabilidade: será que dá match?

Ao ser convidada para escrever este artigo, logo me veio a pergunta: De que forma o RH contribui para um mindset sustentável? 

Várias respostas surgiram na minha mente: cultura organizacional, responsabilidade social e ambiental, diversidade, inovação, estratégia… será que tudo isso se conecta? 

A área de Recursos Humanos ou de Gestão e Pessoas, como gosto de falar, é a responsável por orientar e disseminar a cultura organizacional conforme valores da empresa. Propor reflexões sobre temas da atualidade ou discutir e pesquisar tendências, faz parte de uma atuação estratégica da área de Gestão e Pessoas e tem muito a contribuir, sim, para uma mudança de mindset buscando conectar, integrar, orientar e desenvolver pessoas. 

Quando falamos em sustentabilidade precisamos ampliar as dimensões de alcance do seu significado que vai além da ambiental e econômica.

 Entendo que a sustentabilidade está intimamente relacionada com a questão social, pois quando criamos um ambiente de trabalho favorável e incentivamos a conscientização de agir de forma ética, conseguimos disseminar esse comportamento também para a família do colaborador, para a comunidade onde ele vive e para o mundo que o cerca.

 O que não é diferente, quando falamos da dimensão da diversidade, incentivando o respeito a crenças e valores individuais, reforçando a importância da ação de cada um para o bem estar do todo.

 E por que não citarmos a dimensão da inovação? Exercitar um novo olhar! Inovar é também repensar nossas atitudes, sermos protagonistas em uma nova jornada! 

Todas essas dimensões consolidadas em um planejamento reforça a estratégia do Gestão e Pessoas para a sustentabilidade do negócio. Assim como, monitorar os indicadores de ecoeficiência reforçando o branding, atrair e reter talentos, promover o employee experience, reduzindo riscos operacionais e diminuindo custos financeiros.

 Trazendo a teoria para a prática, podemos exemplificar iniciativas como:

 • Diminuir trânsito de papéis no ambiente corporativo, ação viável que demanda a reestruturação dos processos da empresa aliada a ferramentas da tecnologia, disponibilizando de forma ágil as informações para tomadas de decisão, sem a impressão desnecessária de documentos.

 • Instituir programas sociais proporcionando qualidade de vida para a comunidade, como a criação de uma horta cultivada na própria empresa a partir da compostagem dos resíduos orgânicos gerados por ela; programas de promoção à saúde como o uso da bicicleta como meio de transporte ou organizar um grupo de corrida com colaboradores da empresa, por exemplo.

 • Capacitar e conscientizar as equipes com relação ao descarte correto do lixo, principalmente, os colaboradores que atuam na linha de frente dessa coleta

. • Estimular o voluntariado para que sejam compartilhadas experiências e desenvolvimento de mais conexões (estimulando a atitude).

 • Criar Políticas que fortaleçam a estratégia como a contratação de pessoas que moram em regiões próximas às unidades de operação da empresa. Com a pandemia, muitas organizações estão reavaliando suas estruturas para um sistema híbrido, presencial

 + home office, possibilitando reduzir o impacto da superlotação no sistema de transporte, reduzir custos operacionais, melhorar a qualidade de vida no trabalho, aumentar performance e, consequentemente, trazer mais engajamento.

 Não há mais como deixar de lado a questão da sustentabilidade e o seu vínculo ao negócio e o Gestão e Pessoas (ou o RH) deverá ser o agente que fomentará a mudança de mindset em toda a organização.

Tatiana Duarte é Gerente de Gestão e Pessoas na Diretoria de Shoppings do Grupo PaulOOctavio

É emergencial que empresas abracem a responsabilidade corporativa aliada à sustentabilidade

Sinto necessidade de fazer algo positivo para inverter a degradação que estamos vivenciando em todo planeta. 

A natureza pede socorro!

Como trabalho com transporte que gera impacto com as emissões de gases efeito estufa, tenho buscado todas as formas de minimizar esta questão.

Nossa  frota é  composta por veículos modernos: Motor Euro- 5 com emissão quase zero de poluentes através da tecnologia Bluetec 5; utilizamos óleo diesel S-10, que emite menos enxofre; optamos por padronizar nossa frota com os principais diferenciais que temos no mercado.

Certificação de controle de emissões de partículas poluentes

Enfim, buscamos excelência, e uma das atitudes que tomamos foi levar educação ambiental para os nossos usuários e funcionários.

Uma das 37 palestras realizadas em 2019 em todos os setores da empresa.

Já fazíamos o descarte correto dos contaminados de óleo, e toda a nossa sucata já é destinada à reciclagem há muitos anos. Nossos pneus inservíveis e nossas lonas de freio de resina são utilizados como energia nos fornos de uma indústria de cimento aqui no DF, como substituto do petróleo. 

Mas o nosso resíduo comum não era separado. 

 Através da separação das lixeiras colocadas nos ônibus, pudemos encaminhar os recicláveis para a cadeia de reciclagem e os orgânicos passaram a ser compostados em nossas garagens, dando origem à hortas para os funcionários.

 Com essa atitude simples, nosso lixo chegou a uma redução de 93% em algumas áreas em que atuamos, em apenas 1 mês.

E como diretora de uma  empresa que emprega 3.000 funcionários , resolvi aprofundar no tema , mostrando que pequenas atitudes podem se transformar em grandes resultados. 

Foi incrível o engajamento por boa parte de nossos funcionários. Eles participaram com entusiasmo e colaboraram de tal forma, que nosso trabalho foi exemplar.

Horta da unidade de Santa Maria – DF

E assim procuramos passar para os passageiros que transportamos o que conseguimos internamente. Também fizemos parcerias com escolas e a comunidade local, para participar de movimentos mundiais como o Dia Mundial da Limpeza 2019.

Alunos da escola CEF 308 de Santa Maria, funcionários e cidadãos, no Dia Mundial da Limpeza 2019.

Este processo é lento, gradativo e rotineiro, mas através da informação a população compreendeu a necessidade de sua participação. 

Na minha percepção eles entenderam que  o planeta também é deles, e a responsabilidade é de todos.

Ação de distribuição de sementes de Ipê Amarelo na Rodoviária do Plano Piloto.

Nossas ações não se restringem a área de resíduos. Atualmente estamos implantando energia limpa em todas nossas unidades e reuso de água na higienização dos veículos. 

Unidade do Itapoã com energia 100% renovável.

Minha esperança é que todas as empresas e pessoas passem a ter um olhar responsável enquanto é tempo!

Quero fazer parte e ampliar o grupo de pessoas que procuram a regeneração ambiental para evitar o avanço dos desastres climáticos que, infelizmente,  já estão acontecendo há alguns anos.

Educar é muito gratificante , nos faz sentir parte do processo de crescimento do nosso país. 

E um país com bom nível de educação pode escolher governantes pela capacidade de governar. 

Acredito no Brasil porque nós brasileiros podemos fazer melhor. Ao invés de reclamar, podemos fazer a nossa parte, trabalhando pela recuperação da biodiversidade, gerando impacto social e neutralizando carbono.

Auristela Constantino é formada em música pela UNB e atua como empresária a mais de 3 décadas no segmento de mobilidade urbana e rodoviária. Busca através do seu comprometimento com os seus valores, incorporar melhores práticas de sustentabilidade e gestão na empresa Viação Pioneira em Brasília.

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Como a Biomimética pode resolver os problemas globais?

Hoje vamos falar sobre Biomimética e como ela pode nos auxiliar a solucionar problemas complexos. Você já parou para pensar sobre como esta a saúde do planeta Terra? E já parou para entender que o universo é um grande ser vivo? O universo é inteligente e está vivo.

Logo, nós vivemos dentro de um ser vivo, o planeta Terra, e não dentro de uma máquina. O planeta Terra integra, conecta, e tem uma sincronicidade, mesmo quando caótica, de coordenar os seus sistemas e relações em todos os níveis de existências.

Compreendendo que o planeta é vivo e manifesta a sua inteireza através de soluções para problemas complexos testadas há bilhões de anos, podemos refletir então sobre quais são as nossas referências nesse mundo e de que forma pretendemos seguir existindo a longo prazo nesse planeta que é nosso, mas não somente nosso.

Vivemos um momento de transição, onde somos diariamente convidados a re-imaginar e reconstruir o mundo como o conhecemos. Quando pensamos nos principais problemas globais entendemos que o que viemos fazendo há 30, 60, 100 anos não nos ajudará a chegar nos próximos 20 anos (quem dirá nos próximos 5 anos – a mudança e a evolução são exponenciais).

Olhando para esses problemas globais como energia, meio ambiente, comida, saúde, segurança, água e (muitos) outros, vemos que esses problemas podem ser, na verdade, a solução.

Como assim? Você, provavelmente, já ouviu falar que a definição de insanidade é “fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”. Você já imaginou um benchmark de aproximadamente 3.8 bilhões de anos de experiência para encontrar soluções inovadoras?

Aprendendo a aprender com a Natureza

Temos a nossa disposição a fonte de todas as criações, a natureza, que, há bilhões de anos, aprendeu o que funciona e o que é apropriado aqui na Terra. A natureza ensina lições poderosas de como as coisas devem ser construídas e são feitas para durar. A solução para uma nova maneira de fazer, de resolver, de liderar e de aprender.

Convido vocês a aprenderem a aprender com a Natureza. Para isso, é necessário trocar lentes antigas para novas lentes. Lentes sustentáveis e mais adequadas ao espírito do nosso tempo.

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A natureza nos ensina lições poderosas (Crédito: Shutterstock)

Vivemos em um tempo de transição onde precisamos readequar e reavaliar nossas indústrias e serviços, no qual precisamos repensar a nossa liderança e o nosso impacto no mundo, onde somos constantemente convidados a metamorfosear quem somos e o que fazemos. Por onde começar?

Primeiramente perguntar: “O que a natureza faria aqui?”, seja lá o que estivermos tentando resolver. Isso se aplica a serviços, produtos, processos e sistemas. A abordagem da biomimética pode orientar líderes de organizações de todo o mundo a serem comprometidos com a meta de uma economia circular.

A Revista Fortune recentemente identificou a Biomimética como a tendência número 1 nos negócios em 2017 e a Revista Forbes citou a biomimética como uma das cinco tendências tecnológicas que podem levar uma empresa ao sucesso. Traduzida do inglês biomimicry, que, por sua vez, surge do grego bios, vida, e mimesis, imitação, biomimética significa, de forma literal, “imitar a vida”.

Através dessa imitação mais profunda e consciente da vida, surge a possibilidade de criar novas tecnologias inspiradas pela natureza, o que significa inovar em serviços, produtos, processos e sistemas.

Compreendendo a Biomimética

A Biomimética é, portanto, a ciência que ensina a utilizar a natureza como mentora, medida e modelo.

Para o desenvolvimento dos projetos, a biomimética possui uma metodologia, o Biomimicry Thinking, que, aliado a ferramentas como os Elementos Essenciais e os Princípios da Vida, permite inovar em projetos de inovação, tecnologia e gestão.

O termo foi cunhado por Janine Benyus, co-fundadora do Biomimicry 3.8, e também uma das minhas professoras e mentoras na Especialização em Biomimética no Biomimicry 3.8 (EUA), ao lançar o seu livro: “Biomimética: Inovação inspirada pela Natureza”. Há muito para se aprender com a natureza e não apenas a se extrair dela.

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A Biomimética é a ciência que ensina a utilizar a natureza como mentora, medida e modelo (Crédito: Shutterstock)

O objetivo da biomimética é o estudo das estruturas biológicas e das suas funções para, dessa forma, aprender com a natureza através das suas estratégias e soluções e utilizar esse conhecimento em diferentes domínios da ciência como: engenharia, biologia, design, administração, medicina, futurismo, tecnologia, e muitas outras.

Utilizando, portanto, a natureza como fonte de criação e inovação e permitindo a vida prosperar na Terra. Lembre-se que a natureza é abundante em recursos e inspirações. Mehmet Sarikaya afirma que:

Estamos no limiar de uma revolução de materiais equivalente à que houve na Idade do Ferro e na Revolução Industrial e a biomimética será o mais importante agente que modificará profundamente a forma de como nos relacionamos com a natureza e com nós mesmos. – Mehmet Sarikaya

Aplicando a Biomimética

Alguns exemplos utilizando a biomimética são: uma garrafa de água que absorve e armazena a umidade do ar e a transforma em água potável imitando o processo de captura e armazenamento de água do besouro da Namíbia, que habita o deserto da Namíbia e se utiliza desse mecanismo para sobreviver.

Agora, imagine se, em todos os locais onde há escassez desse recurso natural – a água – houvessem garrafas ou caixas d’água que funcionassem da mesma forma e, portanto, garantissem o abastecimento de água em todas essas comunidades.

No Japão, há o trem-bala inspirado no pássaro martim-pescador. O trem-bala pode alcançar velocidade de 300 km/h, mas o som emitido por ele extrapolava os padrões ambientais de poluição sonora. Parte do problema estava no design da parte frontal do trem.

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O trem-bala japonês foi inspirado no pássaro martim-pescador

Ademais, ao entrar nesses túneis, o veículo enfrentava uma mudança drástica na resistência do ar. Encontraram, então, um exemplo na natureza de um animal que passasse por condições semelhantes, o martim-pescador.

O pássaro precisa mergulhar para se alimentar, e troca rapidamente de um ambiente de baixa resistência (ar) para um com muita resistência (água), logo, possui a aerodinâmica perfeita para essa situação.

Então, remodelaram a parte frontal do trem-bala para um formato similar ao bico do martim-pescador, e os trens não passaram apenas a viajar de maneira mais silenciosa, mas também se tornaram 10% mais rápidos e 15% mais econômicos.

O design das pás de turbinas eólicas inspirado na geometria das barbatanas da baleia jubarte, da empresa Whale Power, produzem 32% menos atrito e 8% menos arrasto que as lâminas convencionais.

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O design das pás de turbinas eólicas da Whale Power foram inspiradas nas barbatanas da baleia jubarte

Outra empresa, é a Ecovative, uma indústria americana, que, inclusive, já tive a oportunidade de visitar e ver ao vivo o seu processo de produção.

A empresa tem como foco substituir materiais como o plástico e isopor e, para isso, produz embalagens e também diversos produtos como cadeiras e isolantes acústicos utilizando o micélio (raiz dos cogumelos) como matéria prima principal além de restos orgânicos das fazendas dos produtores locais.

A Ecovative é hoje líder mundial em biomateriais criando e ampliando produtos ecológicos. Os materiais são 100% biodegradáveis e tem custo e desempenho competitivo com os materiais convencionais. A Ecovative inclusive, fechou parceria com gigantes como Dell e Ikea.

Ou seja, você pode comprar um computador ou uma mesa, por exemplo, e estes virem embalados nesse material, após desembalar, você pode enterrá-lo e este será adubo na sua horta ou jardim; os mais corajosos podem arriscar, inclusive, comê-lo.

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A Ecovative usa o micélio (raiz dos cogumelos) como matéria prima principal de seus produtos (Crédito: Ecovative)

Pesquisadores conceituados como Stephen Wainwright afirmam que a biomimética em breve ultrapassará a biologia molecular e a substituirá “como a mais desafiadora e importante ciência biológica do Século XXI”.

O Século da Ecologia

Satish Kumar afirma que deixamos o Século da Economia para entrar no Século da Ecologia, e, ainda, nos traz a origem grega das duas palavras, economia e ecologia, que vêm da mesma raiz: ‘Oikos’, ‘logos’, ‘nomos’, três palavras gregas. “Oikos” significa casa, lar.

E, na sabedoria dos filósofos gregos, não apenas ‘casa’ é onde você está vivendo mas o planeta inteiro é a sua casa. O planeta inteiro é a nossa casa. Todas as espécies neste planeta são nossos parentes.

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Para Satish Kumar, deixamos o Século da Economia para entrar no Século da Ecologia (Crédito: Parabola)

O conhecimento deste planeta-casa é a ecologia. “Logos” significa conhecimento. Então, precisamos saber como todas as espécies neste planeta-casa se relacionam uma com as outras. Estamos todos relacionados e estamos todos conectados. Isso é ecologia.

Já a economia é “nomos” e significa administração. Ou seja, é como administramos todas as relações entre todas as espécies neste planeta-casa. Nesse momento, pensem comigo (e com o Satish) como podemos administrar algo que não conhecemos? Algo com o qual não nos relacionamos?

Somente conseguimos aprender com aquilo que nos relacionamos e admiramos. É preciso falar de ecologia para falar de economia. Essa é uma grande transição que já esta, pouco a pouco, ocorrendo no cenário atual e que traz grandes e importantes mudanças para as nossas indústrias e planeta.

Somos seres vivos em um planeta vivo e rodeados de outros seres vivos. Nós estamos inseridos nessa grande rede que conecta todos os ecossistemas do planeta, e entender a interdependência das relações é também nos permitir ser mais conscientes do nosso papel no planeta e permitir, portanto, criarmos culturas de empresas prósperas.

Por fim, deixo para vocês refletirem uma frase do Leonardo Da Vinci, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico – era tão transdisciplinar quanto a biomimética – e que diz assim:

Aqueles que são inspirados por outro modelo que não a natureza, a mestre acima de todos os mestres, estão trabalhando em vão. – Leonardo Da Vinci

E desafio vocês: seja lá no que vocês estiverem pensando, a natureza pensou nisso primeiro!

Giane Brocco é Fundadora & CEO da Amazu Biomimicry (Consultoria de Biomimética & Inovação-Consciente). Fundadora do Biomimicry Brasil (network representante do Biomimicry 3.8 (EUA) e do Biomimicry Institute (EUA), no Brasil). Co-fundadora da Asha – The Eco Based Company, onde traz o conceito aplicado de ecoluxury para o Brasil. Pioneira ao trazer a Biomimética para o Brasil, foi uma das 100 primeiras pessoas no mundo a se certificar Especialista em Biomimética. Combina a engenharia com a sua paixão pela natureza para promover inovação, criatividade e liderança a partir da Biomimética. Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas, certificada Especialista em Biomimética pelo Biomimicry 3.8 (EUA), e Graduada em Engenharia de Produção-Mecânica. Além disso, estudou Liderança para a Transição na Schumacher College (Londres e Brasil) e Bio-Liderança no Amani Institute. Realiza workshops, cursos e palestras no Brasil e no mundo, em eventos como TEDx Mauá, TEDx PassoFundo, Path Festival, Biomimicry Summit, Globo News Prisma, Creative Mornings (Chapters: SP, POA e RJ), Friends Of Tomorrow, entre outros. Atua, também, como professora convidada em cursos de MBA e Pós Graduação em diversas Universidades tais como FAAP, Unisinos e Feevale. É conselheira nos Sistemas FIERGS (CONLIDER) e FIESP (CEJ). Com empresas, como consultora, dentre os projetos desenvolvidos na área da Biomimética, está um novo processo sustentável de injeção à frio com luz UV, Indicadores Ambientais Industriais baseados nas Sequóias e um labirinto sensorial baseado nos super sentidos dos animais.

Canais:

instagrams: @amazu.bio & @gianebrocco

site: www.amazu.bio

youtube: www.youtube.com/amazubiomimicry

Competências e Habilidades Socioemocionais – Davos 2020

Resumo das competências e habilidades socioemocionais relacionadas pelo Fórum Econômico de 2020 realizado entre 21 e 24 de janeiro de 2020 em Davos – Suiça.

O Fórum Econômico Mundial

Tema 2020: “Partes interessadas para um mundo coeso e sustentável”.

A Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial é a principal força criativa para envolver os grandes líderes mundiais em atividades colaborativas para moldar as agendas globais, regionais e da indústria no início de cada ano. Ele reuniu 3 mil participantes de todo o mundo e buscou dar significado concreto ao “capitalismo das partes interessadas”, ajudar governos e instituições internacionais a acompanhar o progresso em direção ao Acordo de Paris e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, além de facilitar discussões sobre tecnologia e governança comercial.

Uma das principais pautas foi sobre o futuro do emprego com o advento da IA – inteligência artificial. Escolas do ensino básico – da educação infantil ao ensino médio –, universidades e estudantes universitários, profissionais em atividade e pessoas desempregadas precisam entender o cenário da relação de trabalho homem-máquina previsto até 2030.

Em outro artigo, faço um resumo do relatório “O futuro do emprego 2018 – 2022” que apresenta uma visão muito objetiva da questão e, o mais importante, extremamente otimista para aqueles dispostos a participar do movimento “Revolução da Requalificação”. Você pode acessar o resumo também em outro artigo do meu blog.

Competência é a mobilização de:

  • Conhecimentos;
  • Habilidades práticas;
  • Habilidades cognitivas;
  • Habilidades socioemocionais;
  • Atitudes e valores.

Para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.

O que significa competência – Gestão de pessoas por exemplo

Veja a relação de competências que o mercado mundial irá demandar na próxima década, segundo o Fórum Econômico Mundial 2020 -.

As competências estão ordenadas pela análise de demanda:

  • Pensamento analítico e inovação;
  • Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem;
  • Criatividade, originalidade e iniciativa;
  • Projetos e programação de tecnologia;
  • Análise e pensamento crítico;
  • Resolução de problemas complexos;
  • Liderança e influência social;
  • Inteligência emocional;
  • Raciocínio, resolução de problemas e ideação;
  • Análise e avaliação de sistemas.

Veja a relação de “Habilidades Socioemocionais” que o mercado mundial irá demandar na próxima década, ordenadas pela importância e análise de demanda:

  • Criatividade;
  • Originalidade;
  • Iniciativa;
  • Pensamento crítico;
  • Persuasão;
  • Negociação;
  • Atenção aos detalhes;
  • Resiliência;
  • Flexibilidade;
  • Resolução de problemas complexos.
A “Revolução da Requalificação” – Davos 2020

Competências e habilidades socioemocionais estão na pauta do Fórum Mundial Econômico há quase uma década, assim como a questão do meio ambiente. Um dos principais documentos apresentados em Davos 2020 foi “A Revolução da Requalificação”.

Saiba mais! Fizemos uma síntese do relatório “A Revolução da Requalificação” apresentados no Fórum Econômico Mundial de 2020.

As previsões são extremamente otimistas, pelo menos até 2025, dado que o número de empregos que irão surgir será duas vezes superior ao número dos que irão desaparecer, e vai faltar mão de obra qualificada para preenchê-los. Tudo dependerá de força de vontade de cada um para sair da zona de acomodação e se reinventar.

Se você estiver empregado, este artigo servirá de guia de requalificação, dependendo da área de sua carreira. E, se tem filhos na educação infantil ou no ensino fundamental, além de focar na sua carreira, deve checar qual programa de aprendizagem socioemocional a escola escolhida por você está utilizando. Seja para os filhos, seja para você, se estiver cursando o ensino médio ou uma universidade, é preciso inteirar-se sobre competências e habilidades socioemocionais e principalmente, antes de decidir qualquer carreira, estudar as tendências para esta década, de 2020 a 2029.

Não tenha pressa, não se precipite, escolher uma carreira que está prestes acabar pode custar 5 anos de sua vida se preparando para competir com um robô.

Saiba mais! Fizemos uma síntese do relatório “O Futuro do Empregos” em no blog.

Existe um documento denominado BNCC – Base Nacional Comum Curricular – produzido pelo Ministério da Educação, que traça diretrizes do conteúdo que todas as escolas brasileiras, públicas ou privadas, devem contemplarem em seus currículos. A BNCC não define como o conteúdo deverá ser ministrado, isso fica a cargo de cada escola, assim como o programa de aprendizagem socioemocional.

Em outro artigo, faço uma análise da BNCC relativamente aos desafios que o programa deve enfrentar na sua implementação.

A primeira versão da BNCC foi publicada em dezembro de 2014 e a última, incluindo o ensino médio, em dezembro de 2018. No documento, ficou definido que todas as escolas do Brasil deverão introduzir educação socioemocional em seus currículos a partir de 2020.

Muitos ressaltam a educação da Finlândia como referência mundial, isso é um fato. Não podemos deixar de dar o devido mérito ao trabalho realizado por esse país incrível. A questão é que a população do país é de 5 milhões de habitantes, praticamente 20% da cidade de São Paulo, com quase um milênio de existência e colonização sueca – portanto, uma cultura extremamente homogênea, com economia muito forte e PIB de US$ 219 bilhões.

​Como referência, calculamos a diferença do poder econômico per capta de um país como a Finlândia e do Brasil. O PIB da Finlândia é de US$ 43.800,00 por habitante, contra US$ 2.075,65 por habitante no Brasil. O resultado per capta da Finlândia é 21 vezes maior do que o nosso. Ainda temos de levar em conta que as instituições da Finlândia estão estruturadas e não demandam grandes investimentos, enquanto, no Brasil, além da educação, precisamos investir maciçamente em saúde, segurança pública e infraestrutura.

​Não temos ainda uma cultura sistêmica para entender que o colapso que vivemos é resultado do fracasso da educação, tudo começa por ela. E a educação, por sua vez, começa em casa e depois recebe o reforço da escola. O fato é que estamos depositando, de forma injusta, a conta inteira do colapso nas escolas.

Qualquer movimento em um cenário como o da Finlândia pode acontecer de forma muito rápida, assim como aconteceu na Irlanda, na Coreia do Sul, na Noruega e na Dinamarca no início do século XXI, países com culturas homogêneas e elevado poder econômico.

Acredito que o movimento no Brasil seguirá o modelo enfrentado pela China, que iniciou suas pesquisas em 1996 e definiu uma base curricular voltada para a ASE em 2001, praticamente duas décadas antes.

Apesar de cases incríveis que encontrei em meus estudos sobre esse movimento da China, onde, com sucesso, algumas escolas se uniram aos pais por uma educação mais humana, buscando introduzir a aprendizagem socioemocional, o país ainda enfrenta uma disparidade enorme entre as escolas.

Comece agora, tem uma janela de oportunidades esperando por você!

Ivan Castro é o criador do Método MIDE (Múltiplas Inteligências para o Desenvolvimento Emocional) e se dedica a ensinar e divulgar o método como forma exponencial de autoconhecimento e despertamento do inédito em seus alunos.

Saiba mais em:

www.multiplasinteligências.com.br

redes sociais:

@metodomide

O Surgimento da 4 Hábitos Para Mudar o Mundo

Para inaugurar o nosso blog, não há nada mais lógico do que contar um pouco sobre a razão da nossa existência. Falar um pouco daquilo que nos move.

A 4H nasceu de uma percepção da minha primeira infância, na cidade de São Paulo. Naquela época, a vida era segura e saudável por lá. Morava perto do Parque, perto do clube, perto da escola. E nas minhas memórias, todos esses trajetos eram feitos a pé, acompanhada pelos meus pais ou avós. 

Parque do Ibirapuera em 1970 | Cidade de são paulo, São paulo, Fotos antigas
Imagem aérea Parque Ibirapuera, SP – 1972

E nesse trajeto eu via árvores, pássaros, borboletas e espaço. Mesmo com as construções em volta, havia lugar para que todos vivessem em harmonia.  Essas experiências, anos mais tarde, já morando em Brasília, me levaram à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Olhando para trás e vendo como a minha cidade amada havia sido transfigurada, eu precisava encontrar um caminho que não levasse outras cidades à este mesmo fim! Mais ainda, um caminho para que um dia eu pudesse fazer algo pela cidade que eu nasci.

Todos os meus estudos sempre convergiram nesta direção. Já em 1995, defendia sistemas descentralizados, colaborativos  e retroalimentados – um conceito que está sendo trazido à tona pela visão da Fluxonomia 4D.

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saiba mais em https://medium.com/fluxonomia4d/fluxonomia-4d-as-quatro-economias-de-futuro-fecfd31de28f#:~:text=FLUXONOMIA%204D%3A%20AS%20QUATRO%20ECONOMIAS,Lala%20Deheinzelin%20%7C%20Fluxonomia%204D%20%7C%20Medium

Foram anos de estudos paralelos à minha carreira tradicional de arquitetura, até que em 2018 o último elo que me amarrava ao “mais do mesmo” se rompeu. O Dado dos índices de reciclagem no Brasil e no mundo foram o gatilho que me tiraram definitivamente da indignação para a ação. 

Resíduos e regeneração de sistemas são 2 temas que estudo com mais profundidade desde 2006. A permacultura era uma prática muito distante das realidades urbanas e dificilmente poderia ganhar escala. Mais do que isso, seria caríssimo para ser aplicado em escala de uma forma que fosse aceita pelo mercado. 

Foto: Emanuelle Sena

Mas, nada como o aprofundamento do conhecimento para que novas possibilidades apareçam! Não estou falando só da tecnologia, que claro, nos permite dar saltos quânticos nos avanços que precisamos, mas nas descobertas em si, como os processos dinâmicos, sistemas agroflorestais, engenharia reversa e a Biomimética. 

Tudo isso me fez ver que é possível sim adotarmos estratégias regenerativas em todos os setores produtivos. E optei por começar pelo mais simples, que cabe a qualquer cidadão fazer a sua parte para que possamos iniciar a nossa jornada até 2050 (quando as emissões de Gases Efeito Estufa – GEE – devem ser nulas no planeta) com consistência e resultados exponenciais.

Esses são os motivos pelos quais a 4H começou pelos resíduos (além de ser a minha especialidade), responsáveis por pelo menos 5% das emissões diretas de GEE na atmosfera. Quando ampliamos a visão incluindo a economia circular e geração de energia, esses impactos se ampliam ainda mais. Mas o motivo principal é porque é mais simples. E sempre partimos do simples para o complexo em nossas estratégias. 

Photo taken with Focos

Nos próximos posts vocês conhecerão muitas pessoas que fazem parte dessa história.. Nossos sócios e colaboradores, parceiros de negócio, mentores, clientes, investidores, enfim! Verdadeiras fontes de inspiração e da energia que nos move!

Espero que você se apaixone pelo mundo e pela vida a cada contribuição, e descubra que há muita coisa boa a ser feita ainda! Que o nosso trabalho te traga felicidade, prosperidade e esperança!

Ana Maria Arsky é Arquiteta e Urbanista e Especialista em Reabilitação Urbana Sustentável pelo programa REABILITA da Universidade de Brasília

Um novo momento

A criação do Blog 4H é um marco para nós! A nossa discussão sobre o seu propósito e o seu modelo apontaram na direção do primeiro princípio da nossa existência: “ninguém muda o mundo sozinho”.

Por este motivo, o nosso blog é colaborativo! Essa é a forma mais rica e diversa que encontramos para trazer um conteúdo com consistência e com visões convergentes a um propósito único: a evolução da nossa sociedade  com a preservação do planeta.

Que tal navegar por diversas perspectivas olhando sempre para a nossa preservação?

Oficina de sementes no condomínio Due Murano em 07.11.2020

É isso que pretendemos promover: quebrar o paradigma do egoísmo coletivo com o poder do trabalho colaborativo. 

E nada mais lógico do que abrir este espaço para as pessoas que contribuíram para os primeiros passos da 4H, as nossas referências e fontes de inspiração, e àquelas pessoas que encontramos em nossa jornada e estão caminhando conosco..

Convidamos vários especialistas em áreas diversas para falar sobre o ser humano, resíduos, energia, água, biomimética, mudanças climáticas, negócios de impacto, venture capital, reciclagem de orgânicos, economia circular, desafios dos empresários tradicionais  e muitos outros assuntos que são conectados e interligados.

A nossa felicidade de trazer essas pessoas conosco neste espaço é intangível, e esperamos que ela chegue até você, como contribuição pelo seu interesse, apoio e pela sua presença conosco!

E se você se identificar e quiser contribuir também, fale conosco, e venha com agente mudar o mundo!

Gratidão!

Ana Maria Arsky

CEO 4 Hábitos Para Mudar o Mundo