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ESG

O que é ESG?

Sem dúvida, a sigla mais comentada dos últimos 12 meses, além da COVID-19 no mundo, é a que terá maior relevância para definir para onde iremos nos próximos 28 anos. Está por toda a internet, é falado em todos os eventos e atravessou todos os setores. Uma sigla tão forte que, deveria, mas  (talvez com a preocupação de não ser compreendido) ainda não foi traduzida para o Português. Mas, afinal, o que é ESG ou ASG? 

Mas calma, não precisa ficar confuso(a)! 

Qual o significado da sigla “ESG”? 

Esta sigla da língua inglesa se refere às práticas Ambientais (Environment), Sociais (Social) e de Governança (Governance) Corporativa. Na verdade, é uma derivação de outra sigla –   CSR em inglês ou RSC (Responsabilidade Social Corporativa em português) –  proposta pela ONU há pouco menos de 20 anos. O objetivo era levantar a discussão sobre o papel mais amplo das corporações: não só gerar lucro e empregos, mas também de gerar riquezas atreladas ao crescimento social. 

Em 2006 começaram os primeiros movimentos neste sentido nos Estados Unidos com a criação do Sistema B e o Capitalismo Consciente. Na Europa, este movimento é ainda mais antigo e um dos institutos mais expressivos é o BRE, localizado na Inglaterra, que desde 1921 investe em pesquisas e desenvolvimento para um ambiente construído melhor para todos. 

Porque os indicadores ESG são importantes? 

De 2015 para cá o setor financeiro também começou a apontar  nessa direção, tendo como principal porta-voz Larry Fink – CEO da BlackRock, o maior fundo de investimentos do planeta. Foi ele que, em 2021, deu a cartada final para a mudança em sua Carta aos CEOs das corporações divulgada durante o Fórum Econômico Mundial. De forma muito resumida, a carta traz a importância da criação de valor de forma duradoura, com estratégias de longo prazo a partir de um propósito e considerando as mudanças climáticas. Segundo Fink, “ as tendências de desigualdades para onde a humanidade estava caminhando foram ainda mais aceleradas na pandemia”.  

Na realidade, foi trazido à superfície algo que já era latente há décadas, senão dizer, há séculos. Da mesma forma que estamos nos aproximando para um colapso de todo o sistema, com escassez hídrica, temperaturas extremas e escassez alimentar, é a primeira vez que vemos as lideranças tomando suas decisões colocando as questões socioambientais como a estratégia central, algo que extrapole os seus muros e seja mais abrangente do que sua comunidade de stakeholders. É sobre isso que se trata o ESG.  

São 3 verticais totalmente interligadas  e com um impacto sistêmico entre si. 

Embora a abrangência do Ambiental, por exemplo, trate de degradação do meio ambiente e de mudanças climáticas, essa virada de chave só será possível com uma mudança consciente das pessoas em suas tomadas de decisão nas posições que ocupam. Reduzir emissões de Gases Efeito Estufa (GEE) é alterar todas as atividades que vêm sendo feitas hoje no planeta, principalmente as fontes de energia elétrica, transportes, uso do solo, agropecuária, processos industriais e gestão de resíduos para emissão zero até 2050. Este é um processo lento e não se trata apenas das emissões em si. Há uma reação em cadeia de todo o sistema. 

O excesso de GEE provocam o aumento da temperatura média da terra, alterando o regime de chuvas, cursos de água, degelo das calotas polares e levando a temperaturas extremas em todas as regiões do planeta. Além de períodos de escassez hídrica e enchentes violentas, há um impacto no aumento da temperatura dos oceanos. Se chegarmos ao aumento de 1 grau e meio, os corais do oceano não sobreviverão, a quantidade de peixes no oceano se reduzirá em 25% e, 1,3 bilhão de pessoas que têm o peixe como proteína primária em sua base alimentar passarão a ter insegurança alimentar, para não dizer fome. Com todas essas perspectivas fica muito claro que a letra “E” do Ambiental é totalmente ancorada no S do social. 

A influência do ESG nas empresas 

São então nas estratégias sociais corporativas, que a empresa agrega valor à comunidade além do serviço/produto que ela produz, dos empregos que ela gera e dos impostos que ela paga. Qual o conhecimento, qual a cultura ou o valor que pode ser levado à essa comunidade? Quais projetos podem ser realizados em parceria com a sociedade para que haja uma troca que gere riqueza e abundância para ambos os lados? O que a empresa pode dar de volta para a sociedade que a faz prosperar? Neste sentido, projetos de regeneração ambiental com redução de emissões de GEE em parceria com o terceiro setor tendem a ser projetos altamente potentes, pois geram uma tsunami de benefícios para todos os lados.  

Embora fundamentais, todas essas premissas anteriores perdem sua força se não forem acompanhadas pela Governança. Uma prática que dá transparência e dados certificados e auditáveis sobre todas as áreas da empresa, trazendo a ética como prática central, inclusive no que tange as estratégias do “E” e do “S”. Cabe usar a expressão “walk-the-talk” aqui, mostrando a importância de eliminar as dissonâncias entre o que se fala (principalmente nas áreas de marketing da empresa) e o que se pratica efetivamente. Inclusão por exemplo, um dos indicadores importantes para práticas ESG, não pode ser apenas na assinatura de uma carteira de trabalho. Fazer parte de uma corporação deve ser um marco transformador na vida de um colaborador como ser humano.  

A gente sabe que você está anotando tudinho para não esquecer. 

Podemos concluir que… 

No final das contas, daqui pra frente o que está em jogo é a sobrevivência das empresas de fato. O mercado consumidor vem cada vez mais buscando consumir de empresas conscientes, como demonstra uma pesquisa do Instituto Akatu em parceria com a Globescan. As empresas que demonstrarem claramente o seu comprometimento com a pauta ESG são sem dúvida as que prosperarão daqui para frente. Na outra ponta de seu pilar de sustentação estão os fundos de investimento. E estes também darão prioridade aos negócios que assumiram  a sua cota de responsabilidade e estão investindo em regenerar sociedade e planeta a longo prazo, seguindo o posicionamento de Larry Fink. Com taxas melhores, empresas ganham mais competitividade e avançam mais.  

ESG na verdade é a receita perfeita para que as empresas sobrevivam a este momento disruptivo, deixem de ser as melhores do mundo e passem a ser as melhores para o mundo! 

Agora que você está por dentro do assunto, partiu pôr em prática? 

Você pode gerar indicadores ESG usando os resíduos de sua empresa. Saiba mais em www.4habitos.com.br 

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COP 26

COP 26: está aberta a era das escolhas

No domingo, 31 de outubro de 2021 foi um dia chave para a definição do destino da humanidade. Mais de 100 líderes Mundiais e outras dezenas de milhares de participantes se reuniram na abertura da COP 26, reunião da UNFCCC ( Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas) que aconteceu este ano em Glasgow, no Reino Unido. 

Foram  2 semanas de exaustivas discussões e negociações entre 195 países para buscar soluções para o combate ao aquecimento global. A meta principal incluída na Agenda 2030, é evitar que o aquecimento da temperatura média do planeta chegue a 1,5 graus celsius.

Na abertura do evento, a secretária executiva da Convenção-Quadro ONU sobre Mudança Climática,  Patricia Espinosa, trouxe em seu discurso a esperança de que este seja um momento do despertar para uma era de resiliência e foi contundente ao definir que será um momento onde terão que fazer duras, mas muito claras, escolhas: entre mudar os rumos para garantir um futuro mais equilibrado para as próximas gerações ou, de condenar definitivamente os hoje jovens à um futuro duro e sombrio. 

Patricia Espinosa – Secretária executiva da Convenção-Quadro ONU sobre Mudança Climática

O acontecimento da conferência neste momento é fundamental para trazer à tona os resultados obtidos até aqui que não são nada animadores. Os planos nacionais para contribuir com  o Acordo de Paris não foram cumpridos e se esta realidade não for mudada, dificilmente chegaremos em 2030 com um aumento de temperatura inferior à 2 graus celsius.

Incêndio devasta ilha de Guanaja nas Honduras – 02/10/2021 – fonte: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1844333/incendio-devasta-ilha-de-guanaja-nas-honduras

Estamos em um momento emergencial! Não há mais tempo para postergar ações de reduções drásticas nas emissões. Como salientou a secretária, “ Cada dia que passa sem se implementar o Acordo de forma integral, é um dia perdido. Este dia perdido tem repercussão no mundo real, para pessoas em todo mundo, principalmente os mais vulneráveis.”

Mesmo com o cenário crítico, ainda há espaço para esperança desde que as nações comecem imediatamente a cumprir com seus compromissos. Também entrou em destaque o auxílio necessário para países em desenvolvimento que precisam fazer adaptações mais dramáticas para realizar as transformações necessárias de reduções das  emissões de Gases Efeito Estufa (GEE) para atingirmos a meta. Essa transição da humanidade é sem precedentes em sua história, seja em escala, velocidade ou finalidade. Ou seja, nunca foi tão necessário, nem tão globalizado e muito menos tão rápido.

Relatório do IPCC: mudanças profundas estão em andamento nos oceanos e no gelo da terra – 02/10/2021 – fonte: https://www.ecodebate.com.br/2021/08/09/relatorio-do-ipcc-mudancas-profundas-estao-em-andamento-nos-oceanos-e-no-gelo-da-terra/

Para o presidente da COP 26, Alok Sharma, a conferência de Glasgow, cujas discussões se iniciaram na segunda, 01 de novembro,  poderiam ser a última e melhor esperança de se manter o limite de temperatura média da terra dentro do esperado. Mas isso não foi o suficiente para que o resultado fosse animador. Mesmo com tantas apresentações de soluções reais, mesmo com  tantos apelos dos países em desenvolvimento que estão sofrendo mais com as mudanças climáticas, as respostas  do documento final colocam em cheque a segurança global.

Pela primeira vez se falou em reduzir o consumo de combustíveis fósseis, o que à primeira vista parece um avanço, embora a meta deveria ser de eliminação e não de redução. As etapas de redução também são em prazos muito alongados, o que deixa o questionamento sobre o sucesso da redução das emissões. 

Outro ponto de avanço foi o comprometimento de cerca de 120 países a deter e reverter o desmatamento até 2030 e um novo fundo foi aprovado para zerar o desmatamento ilegal nesta mesma data.

Um ato importante também foi a regulamentação dos créditos de carbono, permitindo que países emissores comprem os créditos de países que conseguem sequestrar gases efeito estufa. Porém as mitigações (reduções de emissões ou emissões evitadas a partir de uma nova estratégia ou novas fontes de energia por exemplo) não entraram nessa regulamentação e continuam em aberto, infelizmente. Mitigações são fundamentais para a redução das emissões e precisam de mecanismos regulamentares para seu incentivo. Segundo especialistas, não há área (nem tempo) suficiente no planeta para que a neutralização seja eficaz o suficiente para evitar o aquecimento de 1,5 graus até 2030.

Independente das negociações e acordos entre as nações, ficou claro que empresas e cidadãos precisam também fazer a sua parte. Num planeta onde desastres ambientais como inundações, incêndios, furacões e desertificações se tornam cada vez mais comuns, fica muito evidente que é mais interessante investir em regenerar o que foi degradado do que levar o sistema à exaustão com prejuízos irreparáveis para toda a humanidade. O mercado financeiro e o mercado consumidor já deram o seu recado de apoiar os negócios que se preocupam em mais em serem os melhores para o planeta do que os maiores do planeta. E é desta forma que a mudança acontecerá.

 E afinal, qual é a sua escolha?

O Surgimento da 4 Hábitos Para Mudar o Mundo

Para inaugurar o nosso blog, não há nada mais lógico do que contar um pouco sobre a razão da nossa existência. Falar um pouco daquilo que nos move.

A 4H nasceu de uma percepção da minha primeira infância, na cidade de São Paulo. Naquela época, a vida era segura e saudável por lá. Morava perto do Parque, perto do clube, perto da escola. E nas minhas memórias, todos esses trajetos eram feitos a pé, acompanhada pelos meus pais ou avós. 

Parque do Ibirapuera em 1970 | Cidade de são paulo, São paulo, Fotos antigas
Imagem aérea Parque Ibirapuera, SP – 1972

E nesse trajeto eu via árvores, pássaros, borboletas e espaço. Mesmo com as construções em volta, havia lugar para que todos vivessem em harmonia.  Essas experiências, anos mais tarde, já morando em Brasília, me levaram à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Olhando para trás e vendo como a minha cidade amada havia sido transfigurada, eu precisava encontrar um caminho que não levasse outras cidades à este mesmo fim! Mais ainda, um caminho para que um dia eu pudesse fazer algo pela cidade que eu nasci.

Todos os meus estudos sempre convergiram nesta direção. Já em 1995, defendia sistemas descentralizados, colaborativos  e retroalimentados – um conceito que está sendo trazido à tona pela visão da Fluxonomia 4D.

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saiba mais em https://medium.com/fluxonomia4d/fluxonomia-4d-as-quatro-economias-de-futuro-fecfd31de28f#:~:text=FLUXONOMIA%204D%3A%20AS%20QUATRO%20ECONOMIAS,Lala%20Deheinzelin%20%7C%20Fluxonomia%204D%20%7C%20Medium

Foram anos de estudos paralelos à minha carreira tradicional de arquitetura, até que em 2018 o último elo que me amarrava ao “mais do mesmo” se rompeu. O Dado dos índices de reciclagem no Brasil e no mundo foram o gatilho que me tiraram definitivamente da indignação para a ação. 

Resíduos e regeneração de sistemas são 2 temas que estudo com mais profundidade desde 2006. A permacultura era uma prática muito distante das realidades urbanas e dificilmente poderia ganhar escala. Mais do que isso, seria caríssimo para ser aplicado em escala de uma forma que fosse aceita pelo mercado. 

Foto: Emanuelle Sena

Mas, nada como o aprofundamento do conhecimento para que novas possibilidades apareçam! Não estou falando só da tecnologia, que claro, nos permite dar saltos quânticos nos avanços que precisamos, mas nas descobertas em si, como os processos dinâmicos, sistemas agroflorestais, engenharia reversa e a Biomimética. 

Tudo isso me fez ver que é possível sim adotarmos estratégias regenerativas em todos os setores produtivos. E optei por começar pelo mais simples, que cabe a qualquer cidadão fazer a sua parte para que possamos iniciar a nossa jornada até 2050 (quando as emissões de Gases Efeito Estufa – GEE – devem ser nulas no planeta) com consistência e resultados exponenciais.

Esses são os motivos pelos quais a 4H começou pelos resíduos (além de ser a minha especialidade), responsáveis por pelo menos 5% das emissões diretas de GEE na atmosfera. Quando ampliamos a visão incluindo a economia circular e geração de energia, esses impactos se ampliam ainda mais. Mas o motivo principal é porque é mais simples. E sempre partimos do simples para o complexo em nossas estratégias. 

Photo taken with Focos

Nos próximos posts vocês conhecerão muitas pessoas que fazem parte dessa história.. Nossos sócios e colaboradores, parceiros de negócio, mentores, clientes, investidores, enfim! Verdadeiras fontes de inspiração e da energia que nos move!

Espero que você se apaixone pelo mundo e pela vida a cada contribuição, e descubra que há muita coisa boa a ser feita ainda! Que o nosso trabalho te traga felicidade, prosperidade e esperança!

Ana Maria Arsky é Arquiteta e Urbanista e Especialista em Reabilitação Urbana Sustentável pelo programa REABILITA da Universidade de Brasília

Um novo momento

A criação do Blog 4H é um marco para nós! A nossa discussão sobre o seu propósito e o seu modelo apontaram na direção do primeiro princípio da nossa existência: “ninguém muda o mundo sozinho”.

Por este motivo, o nosso blog é colaborativo! Essa é a forma mais rica e diversa que encontramos para trazer um conteúdo com consistência e com visões convergentes a um propósito único: a evolução da nossa sociedade  com a preservação do planeta.

Que tal navegar por diversas perspectivas olhando sempre para a nossa preservação?

Oficina de sementes no condomínio Due Murano em 07.11.2020

É isso que pretendemos promover: quebrar o paradigma do egoísmo coletivo com o poder do trabalho colaborativo. 

E nada mais lógico do que abrir este espaço para as pessoas que contribuíram para os primeiros passos da 4H, as nossas referências e fontes de inspiração, e àquelas pessoas que encontramos em nossa jornada e estão caminhando conosco..

Convidamos vários especialistas em áreas diversas para falar sobre o ser humano, resíduos, energia, água, biomimética, mudanças climáticas, negócios de impacto, venture capital, reciclagem de orgânicos, economia circular, desafios dos empresários tradicionais  e muitos outros assuntos que são conectados e interligados.

A nossa felicidade de trazer essas pessoas conosco neste espaço é intangível, e esperamos que ela chegue até você, como contribuição pelo seu interesse, apoio e pela sua presença conosco!

E se você se identificar e quiser contribuir também, fale conosco, e venha com agente mudar o mundo!

Gratidão!

Ana Maria Arsky

CEO 4 Hábitos Para Mudar o Mundo